Feeds:
Artigos
Comentários

Psicologia do Trabalho: uma crítica as práticas atuais

O Psicólogo como profissional inserido no mundo corporativo é assolado por diversas variáveis que prejudicam seu trabalho e pode até mesmo ser um obstáculo ético. Uma variável importante é a própria condição da organização, o psicólogo do trabalho tem como cliente a empresa e não seus funcionários por isso deve sempre agir de maneira a beneficiar a empresa mesmo que para isso tenha que prejudicar o funcionário, essa questão é contraditória já que a psicologia “é a ciência que estuda o comportamento humano” como essa pode “prejudicar” o homem, sua principal fonte de estudo? Segundo Silva e Merlo(2007) além disso, há ambivalência na ligação profissional como assalariado vinculado a uma empresa que, por um lado, lhe garante estabilidade, mas, por outro, o distancia do ideal de profissional liberal, sendo este limitado pelo desejo da organização.Um exemplo prático é o uso de psicodiagnóstico para recrutamento e seleção que segundo Zanelli (2002)Nas empresas, os psicólogos são reconhecidos como os profissionais que aplicam testes e empregam e não os que estudam e melhoram a qualidade de vida das pessoas.. Outra variável são os limites orçamentários, as empresas exigem dos profissionais soluções para questões comportamentais e de desenvolvimento que demoram um tempo para ter resultado, mas os investidores querem resultados imediatos e abortam os projetos pela metade ou não liberam a quantia necessária. A ultima variável a ser levada em consideração é perca da identidade da profissão já que muitos psicólogos acabam assumindo tarefas que estão muito mais ligadas a administração do que da psicologia propriamente dita, na verdade se envolvem tanto com as questões da empresa que esquecem seu papel nas organizações, os autores Mância, Rodrigues e Minozzo (2003) concordam que tais profissionais: “assumem atividades da Administração e esquecem qual contribuição a Psicologia tem a oferecer. Dessa forma podemos concluir que existe na área organizacional um grande desafio para os profissionais da Psicologia: legitimar a psicologia como um campo importante e estratégico dentro das organizações
Referências Bibliográficas:
SILVA, Patrícia Costa da; MERLO Álvaro Roberto Crespo. Prazer e Sofrimento de Psicólogos no Trabalho em Empresas Privadas, 2007. Acessado em: http://www6.ufrgs.br/ppgpsi/files/Prazer%20e%20Sofrimento%20psico%20em%20empor%20privada%20Merlo%20e%20Patr%C3%83%C2%ADcia.pdf em 08 de Dezembro de 2010.
ZANELLI, José Carlos. Movimentos Emergentes na Prática dos Psicólogos Brasileiros nas Organizações do Trabalho: Implicações para Formação. In: Achcar, R. (org.). Psicólogo Brasileiro: Práticas Emergentes. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1994. In SILVA, Patrícia Costa da; MERLO Álvaro Roberto Crespo. Prazer e Sofrimento de Psicólogos no Trabalho em Empresas Privadas, 2007. Acessado em:http://www6.ufrgs.br/ppgpsi/files/Prazer%20e%20Sofrimento%20psico%20em%20empor%20privada%20Merlo%20e%20Patr%C3%83%C2%ADcia.pdf em 08 de Dezembro de 2010.
MÂNCIA, Lídia Tassini; RODRIGUES, Maria Beatriz; MINOZZO, Fabiane. Psicologia do Trabalho: Concepções e Práticas Contemporâneas. Trabalho apresentado no XII Encontro Nacional da Associação Brasileira de Psicologia Social, Porto Alegre, 2003.in SILVA, Patrícia Costa da; MERLO Álvaro Roberto Crespo. Prazer e Sofrimento de Psicólogos no Trabalho em Empresas Privadas, 2007. Acessado em: http://www6.ufrgs.br/ppgpsi/files/Prazer%20e%20Sofrimento%20psico%20em%20empor%20privada%20Merlo%20e%20Patr%C3%83%C2%ADcia.pdf em 08 de Dezembro de 2010.

Senso comum, graduação e ciência

Psicologia, ciência, ética e profissão. Estes aspectos fazem parte das reflexões no campo psi e foram tratados de forma aberta na disciplina de Laboratório de Psicologia. Ao apontarmos a psicologia como ciência, saímos do lugar do senso comum e partimos para o campo das teorias, experimentações, comprovações, metodologias, conceitos, enfim.
Na graduação, encontramos a dificuldade maior, trabalhar a escuta, desconstruir as passagens do senso comum, trazer uma teoria para apoiar a atuação profissional.
Talvez a dificuldade maior seja pelo fato de que senso comum e ciência partem do mesmo princípio de tentativa de explicar o mundo, o que diferencia é que ciência faz uso de metodologias, tem-se rigor, estudos, e o senso comum é um modo de conhecimento que não passou por um tratamento científico. ALVES, 2004.
Os campos de conhecimento são muito próximos, o senso comum antecede a ciência, portanto, quando adentramos no mundo da ciência sentimos dificuldades em fazer um distanciamento destas duas formas de entendimento do mundo, mesmo porque passamos grande parte de nossas vidas recebendo alto número de informações do senso comum, e o acesso ao campo cientifico muitas vezes nos é negado ou dificultado. O senso comum é grátis, todos podem fazer, a ciência é cara, seu acesso é restrito.
Talvez essa dificuldade encontrada na graduação possa vir também da própria graduação, pouco é dito sobre epistemologia ou filosofia, são disciplinas tratadas de forma breve, sem continuidade ou aprofundamento. A filosofia em especial, deveria ser tratada profundamente, em qualquer graduação, a ciência partiu da filosofia, apesar de serem distintos, pois “a filosofia está presente como reflexão crítica a respeito dos fundamentos desse conhecimento e desse agir”. ARANHA & MARTINS, 1997. Entendendo esse conhecimento e agir como a ciência.
A filosofia se preocupa com a distinção do conhecimento cientifico aos demais, quando um cientista trata de questões do método, validade, corroboração, ele está filosofando, quando aborda o objeto de estudo em todos os setores do conhecimento.
A epistemologia por sua vez, se encarrega da crítica da ciência e do conhecimento, logo se esta disciplina é tratada de modo superficial na graduação não temos a possibilidade de aprofundamento cientifico, pois não sabemos todas as características do conhecimento científico, não preocupamos com o método, logo não podemos incorporar uma atitude filosófico-científica nem tão pouco criticar a ciência, duvidar daquilo que nos é apresentado.
Por fim, é indiscutível a importância da Filosofia e da Epistemologia dentro da graduação, e enquanto estas não forem tratadas com o devido carinho e respeito, a graduação corre o risco de ser inútil, e o estudante formar-se um pastor do senso comum com o diploma da ciência falsa na mão.
REFERÊNCIAS
ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e a suas regras. 8ed. São Paulo: Loyola, 2004. (cap. I)
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. 2ª ed. São Paulo: Moderna, 1997.

AUTO-AJUDA X PSICOLOGIA: IMPLICAÇÕES ÉTICAS E PROFISSIONAIS

São livros, programas de rádio e televisão, colunas fixas em revistas e jornais, palestras, internet e mais alguns especialistas de ocasião com variações sob o mesmo tema: Auto Ajuda.
Esse tema vem crescendo e ganhando cada vez mais forças, visto que a nossa sociedade vive a era do imediatismo, e as soluções para as questões pessoais, profissionais e coletivas deveriam ser eficazes e imediatas, tanto quanto as novas situações de angustias que se colocam ao individuo, dia após dia e é nesse sentido que as obras ditas de “auto-ajuda” emergem como tábuas de salvação, oferecendo receitas de alivio instantâneo de angústia e promessa de “sucesso” em campos diversos da vida.
Segundo o Conselho Federal de Psicologia, auto-ajuda é um tipo de literatura.Busca de um modo fácil, rápido e acessivel, a resolução de problemas do dia-a-dia das pessoas.Os conteúdos de livros de auto-ajuda são organizados sem fundamentação cientifica para as suas afirmações, muitas vezes organizadas de forma romanceada ou por meio de casos individualizados, que querem servir de exemplos para a abordagem de problemas das pessoas de modo generalizado.
Percebe-se que a auto-ajuda é baseada em vivências e crenças próprias, sem respeitar a subjetividade de cada individuo, o que assistimos em programas de televisão, são pessoas que relatam seus problemas, seus conflitos e de forma imediata se encontra uma solução, como se fosse uma mágica, o grande problema é que a auto ajuda, seja por meio de livros, sites, programas de televisão possuem autores, apresentadores, que são confundidos com psicologos e no entando a pratica do profissional psicologo é totalmente diferente.
Programas de auto ajuda geralmente trabalham com o intuito de convencer a pessoa sobre a resolução de suas questões, sem o aprofundamento nelas, e de forma que expõe sua intimidade.Já o psicologo faz o oposto, fornece um ambiente propricio para que o sujeito possa ter conhecimento de si e de seu funcionamento emocional, com a aplicação de uma técnica com embasamento teórico , com qualificação profissional, adquirida em anos de dedicação, estudos e investimentos para se tornar um psicologo apto e ético.
Diante do exposto acima o psicologo não deve permitir que falsos profissionais descaracterize a profissão e o psicologo deve buscar sua inserção de forma ética nos meios de comunicação, participando de debates e práticas que coloquem a profissão de modo claro e destacado.

O psicólogo na organização e suas atribuições

Em primeiro lugar é importante explicar um dos significados da palavra psicologia que quer dizer uma ciência que trata dos estados e processos mentais; estudo do comportamento humano ou animal; capacidade inata ou aprendida para lidar com outras pessoas levando em conta suas características psicológicas, já o significado de organização diz respeito á entidade que serve à realização de ações de interesse social, político, administrativo, etc.; instituição, órgão, organismo, sociedade; grupo de pessoas que se unem para um objetivo, interesse ou trabalho comum, então a partir desse vínculo entre psicologia e organização é feito um esclarecimento sobre o papel do profissional psicólogo.
Há alguns anos atrás a Psicologia não era bem vista nas organizações, e ainda hoje há uma resistência quanto á isso, infelizmente ainda existem pessoas e também profissionais que acham que o papel do psicólogo continua sendo selecionar, recrutar, e no máximo aquela pessoa que ouve os problemas dos funcionários, não dando o devido valor às suas atividades e assim não dando credibilidade ao seu trabalho.
Mais atualmente o processo vem mudando, e para gerir uma empresa é necessária uma boa gestão de pessoas que é o principal desafio para o sucesso das organizações, e para fazer esse trabalho de gerir pessoas é necessário ter equipes preparadas e com aspectos emocionais e mentais equilibrados, pessoas que sabem lidar com conflitos internos do ser humano, exatamente ai que o Psicólogo entra, para fazer esse trabalho juntamente com tantos outros relacionados ao setor.
O profissional faz o trabalho de mostrar como integrar pessoas, treinar e fazer com que os mesmos trabalhem empenhados e tragam resultados positivo para organização, sabendo lidar com seus anseios sem perder a qualidade de vida e motivação pelo que faz, atendendo a ambas as partes funcionário e empresa. Podemos também salientar o psicólogo como um facilitador das ações, mediador de conflitos fazendo as pessoas perceberem e encontrarem soluções num processo de ganha-ganha, além de estimular, direcionar, criar possibilidades dando sempre feedbacks para que a pessoa perceba aspectos onde elas possam melhorar. Além disso, o profissional de psicologia deve preparar a liderança, pois cada gestor de uma organização deve ser um gestor de RH, pois terá que desenvolver essa habilidade para formar equipes motivadas e desenvolver o potencial de cada pessoa. Percebemos que a cada dia que passa esse espaço é preenchido nas organizações, pois a psicologia organizacional tornou-se interdisciplinar, hoje o psicólogo é mais valorizado pelo seu trabalho.
Por fim podemos nos orgulhar por ter conquistado mais um espaço no mercado que está em grande expansão e que a cada dia valoriza mais o profissional da área.

Psicologia da Aprendizagem

* “Construtivismo significa isto: a idéia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento.”
* Do fruto de suas observações, posteriormente sistematizadas com uma metodologia de análise, denominada o Método Clínico, Piaget estabeleceu as bases de sua teoria, a qual chamou de Epistemologia Genética. A Epistemologia Genética, conforme mencionado anteriormente, é uma fusão das teorias existentes, pois Piaget não acredita que todo o conhecimento seja, a priori, inerente ao próprio sujeito (apriorismo), nem que o conhecimento provenha totalmente das observações do meio que o cerca (empirismo); de acordo com suas teorias, o conhecimento, em qualquer nível, é gerado através de uma interação radical do sujeito com seu meio, a partir de estruturas previamente existentes no sujeito. Assim sendo, a aquisição de conhecimentos depende tanto de certas estruturas cognitivas inerentes ao próprio sujeito – S como de sua relação com o objeto – O, não priorizando ou prescindindo de nenhuma delas.Esta fundamentação está muito bem descrita em um de seus livros mais famosos, O Nascimento da Inteligência na Criança (1982), no qual ele escreve que “as relações entre o sujeito e o seu meio consistem numa interação radical, de modo tal que a consciência não começa pelo conhecimento dos objetos nem pelo da atividade do sujeito, mas por um estado diferenciado; e é desse estado que derivam dois movimentos complementares, um de incorporação das coisas ao sujeito, o outro de acomodação às próprias coisas” .
Neste pequeno parágrafo Piaget define três conceitos fundamentais para sua teoria:
• interação
• assimilação
• acomodação
• A relação entre estas duas partes S – O se dá através de um processo de dupla face, por ele denominado de adaptação, o qual é subdividido em dois momentos: a assimilação e a acomodação. Por assimilação entende-se as ações que o indivíduo irá tomar para poder internalizar o objeto, interpretando-o de forma a poder encaixá-lo nas suas estruturas cognitivas. A acomodação é o momento em que o sujeito altera suas estruturas cognitivas para melhor compreender o objeto que o perturba. Destas sucessivas e permanentes relações entre assimilação e acomodação ( não necessariamente nesta ordem) o indivíduo vai “adaptando-se” ao meio externo através de um interminável processo de desenvolvimento cognitivo. Por ser um processo permanente, e estar sempre em desenvolvimento, esta teoria foi denominada de “Construtivismo”, dando-se a idéia de que novos níveis de conhecimento estão sendo indefinidamente construídos através das interações entre o sujeito e o meio.
O que a teoria de Emilia Ferreiro sustenta?
• A pesquisadora aplicou a teoria mais geral de Piaget na investigação dos processos de aprendizado da leitura e da escrita entre crianças na faixa de 4 a 6 anos. Constatou que a criança aprende segundo sua própria lógica e segue essa lógica até mesmo quando ela se choca com a lógica do método de alfabetização. Em resumo, as crianças não aprendem do jeito que são ensinadas. A teoria de Emilia abriu aos educadores a base científica para a formulação de novas propostas pedagógicas de alfabetização sob medida para a lógica infantil.
Qual é a lógica infantil na alfabetização, segundo Emilia Ferreiro?
• A pesquisadora constatou uma sequência lógica básica na faixa de 4 a 6 anos. Na primeira fase, a pré-silábica. a criança não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada e se agarra a uma letra mais simpática para “escrever”. Por exemplo, pode escrever Marcelo como MMMMM ou AAAAAA. Na fase seguinte, a silábica, já interpreta a letra à sua maneira, atribuindo valor silábico a cada uma (para ela. MCO pode ser a grafia de Mar-ce-lo. em que M=mar, C=ce e 0=l0). Um degrau acima, já na fase silábico-alfabética, mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas propriamente ditas. Por fim, na última fase, a alfabética, passa a dominar plenamente o valor das letras e silabas.
* Piaget, quando postula sua teoria sobre o desenvolvimento da criança, descreve-a, basicamente, em 4 estágios, que ele próprio chama de fases de transição (Piaget, 1975):
• Sensório-motor (0 – 2 anos);
• Pré-operatório ( 2 – 7 anos);
• Operatório-concreto ( 7 – 12 anos);
• Operatório Lógico-Formal (12 – 16 anos);
A – Período Sensório-Motor:
Do nascimento aos 2 anos, aproximadamente, etapa básica manipulativa. A ausência da função semiótica é a principal característica deste período. A inteligência trabalha através das percepções (simbólico) e das ações (motor) através dos deslocamentos do próprio corpo. Sua linguagem vai da ecolalia (repetição de sílabas) à palavra-frase (“água” para dizer que quer beber água) já que não representa mentalmente o objeto e as ações. Sua conduta social, neste período, é de isolamento e indiferenciação. (o mundo é ele). Função semiótica: capacidade que o indivíduo tem de gerar imagens mentais de objetos ou ações, e através dela chegar a representação ( da ação ou do objeto). “A função semiótica começa pela manipulação imitativa do objeto e prossegue na imitação interior ou diferida (imagem mental), na ausência do objeto. É a função semiótica que permite o pensamento”. (Lima, 1980: 102). Neste estágio, a partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio (LOPES, 1996). Também é marcado pela construção prática das noções de objeto, espaço, causalidade e tempo (MACEDO, 1991). Segundo Lopes, as noções de espaço e tempo são construídas pela ação, configurando assim, uma inteligência essencialmente prática. Conforme MACEDO (1991, p. 124) é assim que os esquemas vão “pouco a pouco, diferenciando-se e integrando-se, no mesmo tempo em que o sujeito vai se separando dos objetos podendo, por isso mesmo, interagir com eles de forma mais complexa.” NITZKE et alli (1997b) diz-se que o contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento.
Exemplo: O bebê “pega” o que está em sua mão; “mama” o que é posto em sua boca; “vê” o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo a boca.
B. Período pré-operatório (ou Simbólico ou Intuitivo)
Dos 2 anos aos 7 anos, aproximadamente. Etapa intuitiva e de aprendizagem instrumental básica. Neste período surge a função semiótica que permite o surgimento da linguagem, do desenho, da imitação, da dramatização, etc. Podendo criar imagens mentais na ausência do objeto ou da ação é o período da fantasia, do faz de conta, do jogo simbólico. Com a capacidade de formar imagens mentais pode transformar o objeto numa satisfação de seu prazer (uma caixa de fósforos em carrinho, por exemplo). É também o período em que o indivíduo “dá alma” (animismo) aos objetos (“o carro do papai foi ‘dormir’ na garagem”). A linguagem está em nível de monólogo coletivo, ou seja, todos falam ao mesmo tempo sem que respondam as argumentações dos outros. Duas crianças “conversando” dizem frases que não têm relação com a frase que o outro está dizendo. Sua socialização é vivida de forma isolada, mas dentro do coletivo. Não há liderança e os pares são constantemente trocados. Existem outras características do pensamento simbólico que não estão sendo mencionadas aqui, uma vez que a proposta é de sintetizar as idéias de Jean Piaget, como por exemplo: Antropomorfismo ou Nominalismo: dar nomes às coisas das quais não sabe o nome ainda. Superdeterminação: “teimosia”. Egocentrismo: tudo é “meu”. Neste período já existe um desejo de explicação dos fenômenos. É a “idade dos porquês”, pois o indivíduo pergunta o tempo todo. Distingue a fantasia do real, podendo dramatizar a fantasia sem que acredite nela. Seu pensamento continua centrado no seu próprio ponto de vista. Já é capaz de organizar coleções e conjuntos sem, no entanto incluir conjuntos menores em conjuntos maiores (rosas no conjunto de flores, por exemplo). Quanto à linguagem, não mantém uma conversação longa, mas já é capaz de adaptar sua resposta às palavras do companheiro. Intuição: é uma representação construída por meio de percepções interiorizadas e fixas e não chega ainda ao nível da operação. Ou, é um pensamento imaginado. Incide sobre as configurações de conjunto e não mais sobre simples coleções sincréticas simbolizadas por exemplares tipos. Imagem mental: é um produto da interiorização dos atos de inteligência. Constituinum decalque, não do próprio objeto, mas das acomodações próprias da ação que incidem sobre o objeto. Cópia do objeto realizada através do sensório-motor. É a imagem criada na mente de um objeto ou ação distante. Animismo: concepção de objetos inanimados com vida, sentimento ou intencionalidade, sendo uma das manifestações do egocentrismo infantil. Egocentrismo: pensamento centrado no ego, no sujeito, conjunto de atitudes précríticas, pré-objetivas, pré-lógicas e pré-conceituais, seja em relação à natureza, aos outros ou a si mesma. É nesta fase que surge, na criança, a capacidade de substituir um objeto ou acontecimento por uma representação (PIAGET e INHELDER, 1982), e esta substituição é possível, conforme PIAGET, graças à função simbólica. Assim este estágio é também muito conhecido como o estágio da Inteligência Simbólica. Contudo, MACEDO (1991) lembra que a atividade sensório-motor não está esquecida ou abandonada, mas refinada e mais sofisticada, pois verifica-se que ocorre uma crescente melhoria na sua aprendizagem, permitindo que a mesma explore melhor o ambiente, fazendo uso de mais e mais sofisticados movimentos e percepções intuitivas. Em suma, a criança deste estágio:
• É egocêntrica, centrada em si mesma, e não consegue se colocar, abstratamente, no lugar do outro.
• Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos “por quês”).
• Já pode agir por simulação, “como se”.
• Possui percepção global sem discriminar detalhes.
• Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos.
Exemplos:
Mostram-se para a criança, duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. A criança nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas são diferentes. Não relaciona as situações.
C. Período Operatório Concreto:
Dos 7 anos aos 11 /12anos, aproximadamente. É o período em que o indivíduo consolida a construção das operações subjacentes às quais se encontram as possibilidades intelectuais do período. Tais operações são o resultado de ações mentais interiorizadas e reversíveis. No inicio desta fase do pensamento lógicoconcreto a lógica infantil está, ainda muito dependente da manipulação concreta de objetos, e de relações entre objetos. Entende que as conservações de número, substância, volume e peso não acarretam, necessariamente, a mudança de quantidade. Já é capaz de ordenar elementos por seu tamanho (grandeza), incluindo conjuntos, organizando então o mundo de forma lógica ou operatória. Sua organização social é a de bando, podendo participar de grupos maiores, chefiando e admitindo a chefia. Já podem compreender regras, sendo fiéis a ela, e estabelecer compromissos. A conversação torna-se possível (já é uma linguagem socializada), sem que, no entanto possam discutir diferentes pontos de vista para que cheguem a uma conclusão comum. Reversibilidade: quando a operação deixa de ter um sentido unidirecional. A reversibilidade seria a capacidade de voltar, de retorno ao ponto de partida. Aparece, portanto como uma propriedade das ações do sujeito, possível de se exercerem em pensamento ou interiormente. Lembramos que as operações nunca têm um sentido unidirecional; são reversíveis. Conservação: uma invariante que permite a formação de novas estruturas. “A invariância é a conservação. A estrutura é apenas um patamar: O funcionamento levará à formação de novas estruturas” (Lima, 1980: 56). Pode ser observada na área: Lógico-matemática: conservação dos números, etc.
Físicas: Substância, peso, volume, etc.
Espaciais: Medida, área, etc.
Conforme NITZKE et alli (1997b), neste estágio a criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade…, sendo então capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. Apesar de não se limitar mais a uma representação imediata, depende do mundo concreto para abstrair. Um importante conceito desta fase é o desenvolvimento da reversibilidade, ou seja, a capacidade da representação de uma ação no sentido inverso de uma anterior, anulando a transformação observada.
Exemplos:
Despeja-se a água de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criança diga se as quantidades continuam iguais. A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de “refazer” a ação.
D. Período Operatório Formal (ou Abstrato )
Dos 12 aos 16 anos em diante, em que acaba a construção de estruturas intelectuais próprias do raciocínio hipotético-dedutivo, que é característico nos adultos. É o ápice do desenvolvimento da inteligência e corresponde ao nível de pensamento hipotético-dedutivo ou lógico-matemático. É quando o indivíduo está apto para calcular uma probabilidade, libertando-se do concreto em proveito de interesses orientados para o futuro. É, finalmente, a “abertura para todos os possíveis”. A partir desta estrutura de pensamento é possível a dialética, que permite que a linguagem se dê em nível de discussão para se chegar a uma conclusão. Sua organização grupal pode estabelecer relações de cooperação e reciprocidade. Logicização: processo de transformar o pensamento simbólico e intuitivo em pensamento operatório. Segundo WADSWORTH (1996) é neste momento que as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento. A representação agora permite à criança uma abstração total, não se limitando mais à representação imediata e nem às relações previamente existentes. Agora a criança é capaz de pensar logicamente, formular hipóteses e buscar soluções, sem depender mais só da observação da realidade. Em outras palavras, as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas.
Exemplos:
• Se lhe pedem para analisar um provérbio como “de grão em grão, a galinha enche o papo”, a criança trabalha com a lógica da idéia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos. A seqüência das etapas é sempre invariável, embora a época em que são alcançadas possa não ser sempre a mesma para todas as crianças. São quatro os fatores básicos responsáveis pela passagem de uma etapa de desenvolvimento para a seguinte – a maturidade do sistema nervoso, a interação social (que se dá através da linguagem e da educação), a experiência física com os objetos e, principalmente, a equilibração.
• Estudo de Permanência do objeto: têm início aproximadamente no 8º mês de vida e é de fundamental importância, visto que leva á formação da imagem mental. É uma construção cognitiva fundamental ao desenvolvimento da linguagem. Ex: dar um brinquedinho ao bebê, mostrá-lo várias vezes e em seguida encobrí-lo com um pano, daí veremos se o bebê tem ou não noção de permanência do objeto.
• Conservação de quantidades: corresponde ao período pré-operatório (2-7 anos). Definido por Piaget como a capacidade de perceber que apesar das varizções de forma, uma quantidade ou um valor não varia se dele NÃO se retira ou ADICIONA algo.
• Inclusão de Classes: (7-12 anos) é um método utilizado para observar se a criança tem noção do todo e da parte. Observar se a criança é capaz de resolver ao atingir o nível de operações concretas. Caracterizado pelo aparecimento de uma solução lógica, baseado no raciocínio reversível, que permite hieraquizar, combinar e separar classes, pensando nos mesmos elementos como simultaneamente presentes em diferentes classes, na parte e no todo. Raciocínio reversível: do concreto para o abstrato. Período operatório Concreto.
• Flutuação de corpos: noção de densidade, se o material afunda ou não afunda.
• Quantificação de Probabilidades: (12-15 anos) pessoas que estão entre a passagem do operatório concreto para o operatório formal. As crianças iniciam seu modo de pensar como adultos. Já conseguem formular hipóteses.

A Importância do Profissional Psicólogo nas Empresas Privadas

O psicólogo hoje ocupa uma posição de bastante destaque nas empresas privadas e para refletir sobre o papel deste profissional vale compreender o significado da palavra EMPRESA, a qual segundo o Dicionário do Houaiss significa “… Integração de seres humanos que se juntam num empreendimento para agregar valor ao universo e à humanidade, com o objetivo de seduzir e fidelizar os clientes, desenvolver colaboradores e parceiros, atuar positivamente na comunidade e, evidentemente, remunerar os seus acionistas com elevadas taxas de rentabilidade sobre o patrimônio”. Conforme citado por José Guerra (2007) faz-se necessário também relembrarmos o significado mais consensual da palavra psicólogo “especialista em psicologia; indivíduo formado em psicologia e que a aplica no seu trabalho – Psicologia: – ciência que trata dos estados e processos mentais; estudo do comportamento humano ou animal; – capacidade inata ou aprendida para lidar com outras pessoas levando em conta as suas características psicológicas…”
Hoje o RH deixou de ser uma área somente burocrática para dar uma atenção especial ao seu capital humano. Os grandes gestores, e CEO’s de grandes empresas, hoje vêem seus colaboradores (não mais chamados de empregados) como “peças” fundamentais para o bom andamento dos processos produtivos. Há um grande investimento nos funcionários, com treinamentos, palestras motivacionais e presença marcante de psicólogos nas demais áreas da empresa. Desta forma é possível visualizarmos a importância do profissional psicólogo, que há bem pouco tempo no nosso país, estava apenas associado a uma imagem demasiadamente reducionista conotada com os aspectos clínicos e mentais dos sujeitos, ou nas organizações apenas com o papel de Recrutador e Selecionador, agora com a perspectiva da ordem dos psicólogos ser definitivamente criada e pela evolução gradual de mentalidades no aspecto cultural, temos vindo a assistir, ainda que de forma tênue, à desmistificação do conceito e do papel do Psicólogo, pois o mesmo tem embasamento para uma presença mais próxima e humana com os demais funcionários, entendendo suas motivações, ambições e frustrações, trabalhando assim na busca de melhores resultados para a organização.
Antigamente, os psicólogos que já atuavam em empresas eram vistos como se fossem os “prostitutos da psicologia”, como se só pudessem estar nesta área porque era mais bem remunerado, o mercado era mais promissor, enfim, por interesses meramente financeiros. Na época, as recentes teorias de administração levavam à valorização da contratação das pessoas certas para os lugares certos, abrindo então o primeiro espaço para os psicólogos dentro das organizações. Ainda existem pessoas, mesmo profissionais da área, que ainda acreditam que o espaço do psicólogo nas empresas continua sendo o de selecionador de pessoas, ou no máximo, aquela pessoa que ouve os problemas do funcionário, já que os chefes não têm tempo e não sabem como lidar com certas situações.
No entanto, os tempos já mudaram e o terceiro milênio aponta para muitas perspectivas de atuação, pois todos os gurus da gestão de empresas reconhecem que a gestão de pessoas é o principal desafio para o sucesso das organizações, e para gerir gente, é preciso ter em suas equipes, pessoas preparadas para lidar com os aspectos emocionais e mentais do SER HUMANO e, para isso os psicólogos são os mais indicados.
Com a crescente exigência ao nível da competitividade dos RH, os psicólogos terão que procurar mais conhecimento e adequação ao ambiente. Com o crescimento das organizações gerará com certeza novos problemas de ordem social, afetiva e comportamental em resultado desse crescimento acelerado, problemas esse que os psicólogos terão que lidar e ajudar a resolver e certamente outros papéis adicionais surgirão. É importante que os profissionais se especializem a se mantenham constantemente atualizados, para que o trabalho flua de forma adequada, e que o bem estar dos funcionários seja preservado, bem como o lucro da empresa, que são gerados pelo seu capital humano.

Referências:
Houaiss A, Villar M de S, Franco FM de. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva; 2001
Guerra, José. Papel do Psicólogo nas Organizações. 2007. Consultor e Formador Independente em Desenvolvimento Pessoal e Organizacional Página Pessoal: http://jguerra.com.sapo.pt

Ética – Profissional de Psicologia

Vivemos constantes transformações, e devido à rapidez com que acontecem, a cada dia torna-se mais difícil acompanhá-las. Portanto, abre-se um desafio à Psicologia como ciência que estuda e interpreta o comportamento humano, sujeito à complexidade de contínuas e profundas transformações.
Se o indivíduo nasce da sociedade, é produto da sociedade, e está sujeito a contínuas mudanças na sua luta por ocupar “um lugar ao sol” e se, ao mesmo tempo, ele é o sujeito e o objeto do estudo da Psicologia, logo a sociedade é que explica o indivíduo, suas formas de agir apresentam um tríplice caráter: são exteriores (provem da sociedade e não do indivíduo); são coercitivos (impostas pela sociedade ao indivíduo); e, objetivas (têm uma existência independente do indivíduo).
As normas de conduta são formuladas pela sociedade e servem para limitar desejos e ambições individuais, dirigindo-os para relações equilibradas com as necessidades sociais, além das necessidades materiais que são importantes para a sobrevivência humana.
No idioma grego a palavra éthos está ligaga à filosofia moral e êthos à ciência dos costumes. Segundo Aristóteles, éthos expressa um modo de ser, uma atitude psíquica, aquilo que o homem traz dentro de sim na relação consigo próprio, com o outro e com o mundo. Indica as disposições do ser humano perante a vida.
Enquanto a justiça vê o lado objetivo, da vivência coletiva, a ética analisa o lado subjetivo, a individualidade e os valores intrínsecos ao ser humano, provenientes de princípios e convicções subjetivas. A justiça, em sentido real, próprio e direto, representa uma virtude, uma qualidade objetiva ou uma vontade constante de dar a cada um o seu direito. Exige da sociedade a distribuição correta, a cada um o que lhe pertence, o que lhe é devido; a ética orienta-se para os princípios permanentes que servem de fundamento ao bem estar individual e coletivo.
O código de ética é a expressão da identidade profissional daqueles que nele vão buscar inspirações, conselhos e normas de conduta. Nesse sentido ser ético supõe a boa conduta das ações, a felicidade pela ação feita e o prêmio pela alegria da auto-aprovação diante do bem feito.